CVC absorve perda com Avianca e corre para faturar na web

Por Valor Econômico

A CVC Corp, maior agência de viagens do país, enfrenta dois problemas, um de ordem conjuntural, que está praticamente resolvido, e outro estrutural, que seu comando está correndo para solucionar. A companhia busca, com atraso, fortalecer sua operação digital, ao mesmo tempo em que acelera o plano de expansão internacional.

A CVC registrou no primeiro semestre perda de R$ 92 milhões relacionada ao fim das operações da Avianca Brasil. A empresa havia vendido R$ 100 milhões em passagens aéreas da Avianca, que parou de voar em maio. A expectativa é que neste segundo semestre o restante do prejuízo seja absorvido.

Apesar desse impacto, investidores consideraram que a CVC está no caminho certo para melhorar seu desempenho. As ações subiram 9,27% na sexta-feira na B3, para R$ 56,60, a terceira maior alta do Ibovespa.

Praticamente resolvido o “buraco” deixado pela Avianca, a companhia acelera o desenvolvimento de seu canal de vendas na internet. Luiz Fernando Fogaça, presidente da CVC, diz que, embora no Brasil as vendas on-line do setor de turismo representem 47% da receita do setor, na CVC Lazer, voltada à pessoa física, essa fatia gira em torno de 15%. Considerando também as vendas ao mercado corporativo, cerca de 50% das vendas são feitas on-line e a outra metade é feita em lojas físicas ou por agentes independentes. Fogaça acrescenta que nas agências voltadas ao turismo de negócios, como a Rextur, 80% das vendas já são on-line.

“Mesmo com uma participação mais baixa no on-line, a CVC cresceu em média 10% ao ano nos anos de crise, acima da média do mercado, o que é um sinal positivo”, diz Fogaça. O executivo acrescenta que hoje 1% dos clientes que pesquisam passagem aérea no site fecham a compra. A taxa de conversão é de 0,4% em reserva de hotéis e de 0,3% na venda de pacotes turísticos. Nas lojas físicas, a conversão é de 30%.

“A maioria dos consumidores busca uma consultoria para ajudar na programação da viagem”, diz. Fogaça diz que, há dez anos, 80% das vendas da CVC eram de pacotes de viagens. Hoje, os pacotes representam menos de 15%. A maioria das vendas são de viagens montadas em conjunto com o cliente.

Fogaça quer oferecer na internet um trabalho de consultoria semelhante ao oferecido nas lojas físicas. Para isso, a CVC fará a integração dos bancos de dados das nove empresas que controla – CVC Brasil, Submarino Viagens, Rexturadvance, Experimento Intercâmbio Cultural, Grupo Trend, Turismo Visual e Esferatur no Brasil, Bibam Group, Ola e Almundo na Argentina. “Com isso, vai ser possível conhecer o histórico do consumidor em todas as marcas do grupo, conhecer seu comportamento e suas buscas. A partir daí será possível oferecer propostas mais personalizadas nos meios digitais”.

A CVC também trabalha na integração das lojas físicas com o comércio eletrônico, para que o consumidor que fez uma pesquisa na loja possa concluir a compra on-line e vice-versa. Essa venda será faturada pela loja.

Algumas novidades chegaram às lojas nas últimas semanas. O cliente que vai à loja e consulta uma viagem tem garantia de preço da reserva por seis horas, podendo fechar a compra na loja ou quando chegar em casa e for usar o computador para comparar os preços ddas passagens de dos hotéis. Pelo aplicativo, também é possível emitir alertas ao cliente quando diária do hotel ou a passagem aérea muda de preço.

O projeto digital, segundo o executivo, será reforçado com a tecnologia desenvolvida pela empresa de turismo on-line Almundo, comprada na semana passada pela CVC por US$ 77 milhões. “A plataforma da Almundo servirá de base para as demais empresas do grupo. Vamos avaliar o quanto poderá ser aplicado no Brasil. Mas com certeza ele pode ser usada 100% na Submarino Viagens, na Ola e na Bibam”. A CVC pretende aumentar a equipe de tecnologia da informação (TI) neste ano de 150 para 200 pessoas. “Vamos juntar forças com o time da Almundo, que tem 150 pessoas dedicadas à área digital”.

Para os analistas do BTG Pactual, Luiz Guanais e Gabriel Savi, a CVC enfrentou um cenário desafiador no segundo trimestre, mas as adversidades são mais temporárias do que estruturais e a companhia já dá sinais de recuperação.

No segundo trimestre, a CVC reportou prejuízo líquido de R$ 17,4 milhões, ante um lucro de R$ 24,8 milhões um ano antes. Excluindo as perdas com a Avianca Brasil, de R$ 82 milhões no trimestre, o lucro teria crescido 5,2%. A receita líquida aumentou 14%, para R$ 360,8 milhões. As reservas cresceram 38,9%, para R$ 3,94 bilhões.

Publicado originalmente em 12/08/2019 em Valor

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