Gafisa terá plataforma imobiliária

Por Valor Econômico

A Gafisa anunciou nova capitalização, que terá valor de R$ 265 milhões a R$ 273 milhões, a serem utilizados para financiar sua nova plataforma imobiliária e reforçar a estrutura de capital. Segundo o presidente da Gafisa, Roberto Portella, informou ao Valor, a incorporação continuará a ser a principal atividade, mas a atuação vai abranger outros negócios, como o de loteamentos combinados com mix de produtos imobiliários residenciais, comerciais, de shopping centers de vizinhança e hotéis.

“Cada vez mais, vamos atuar mais nos empreendimentos como parceiro e gestor, e menos como construtora”, diz Portella. A intenção é que a companhia atue em negócios com mais retorno em prazo menor. Parte do banco de terrenos será composta por áreas próprias e outra parcela, de terceiros.

No negócio de loteamentos combinados com produtos imobiliários, a Gafisa pretende atuar nas proximidades de grandes centros, principalmente de São Paulo e do Rio. O primeiro lançamento deve ocorrer até o primeiro trimestre de 2020. A incorporação de empreendimentos mistos poderá ser feita pela Gafisa ou por outra empresa. É considerada a parceria também com investidores estrangeiros.

A Gafisa está negociando, há 60 dias, a troca de sua participação em Alphaville Urbanismo por ativos. A companhia tem 30% de Alphaville, e a gestora Pátria Investimentos, a fatia majoritária de 70%. O desenvolvimento de lotes pela Gafisa nas terras que serão recebidas farão parte da nova plataforma imobiliária.

Em relação ao aumento de capital, a Gafisa tem expectativa que a totalidade dos recursos entre no seu caixa o até fim de outubro. Portella disse esperar “sucesso absoluto” da nova capitalização, levando-se em conta as demonstrações de interesse recebidas.

O preço-base por ação será de R$ 6,57, calculado com base na média das cotações de 2 de julho a 14 de agosto. A operação será realizada até o limite do capital autorizado, de 120 milhões de ações. Haverá subscrição privada de 48.968.124 de papéis. No exercício do direito de preferência e sobras, será aplicado desconto de 15%, o que resultará em preço de R$ 5,58 por ação ordinária. Na subscrição das sobras adicionais, será concedido deságio de 3%, e o valor ficará em R$ 5,42. “Queremos atingir o maior número possível de subscritores, evitando concentração e diluição”, afirma Portella.

Na avaliação do Credit Suisse, a alavancagem “pro forma” medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido da Gafisa de 43,7% a ser obtida com o novo aumento de capital não parece suficiente para permitir que a companhia retome o crescimento a pleno vapor. No fim de junho, a empresa tinha alavancagem de 112,2%. O banco ressalta que os prejuízos da Gafisa persistem e diz ver riscos de passivos ocultos da companhia.

Publicado originalmente em 19/08/2019 em Valor

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