Startup carioca de audiolivro vai abrir capital em Toronto
A startup brasileira de audiolivros Ubook prepara sua abertura de capital na Bolsa de Valores de Toronto (TSX) para a primeira quinzena de janeiro.
A empresa recebeu na semana passada aporte de R$ 20 milhões da Confrapar, gestora de fundos para empresas de tecnologia, em um movimento que antecede o IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações). O objetivo da ida à bolsa canadense não é capitalizar a empresa e sim dar mais liquidez aos investidores que já aportaram recursos na empresa, além de permitir aquisições de outras companhias usando ações como moeda. Anteriormente, a Ubook já havia recebido R$ 8 milhões de investidores.
A listagem na TSX será feita por meio do processo conhecido como “reverse takeover” (aquisição reversa), no qual uma empresa de capital fechado utiliza uma companhia já registrada em bolsa, mas inativa, para ter as ações negociadas no pregão. A Ubook, por exemplo, vai usar uma empresa do tipo “shell company”, uma espécie de casca vazia que – uma vez adquirida pela startup brasileira – vai permitir sua negociação em bolsa no Canadá.
“A shell company é uma empresa que chegou a ter operação mas se encontra dormente”, diz o advogado Antonio Tavares Paes, do escritório Costa Tavares Paes. “A empresa [que realiza a aquisição reversa] injeta capital direta ou indiretamente na companhia inativa e passa a ser coligada, afiliada ou subsidiária dela.”
Ao assumir o controle de uma companhia registrada na bolsa de valores nos Estados Unidos ou no Canadá, por exemplo, uma empresa brasileira ganha mais visibilidade e – em tese – mais credibilidade, diz Paes. Isso porque a empresa precisa se adaptar a regras de conformidade (compliance) e de governança internacionalmente conhecidas.
Fundador e presidente-executivo da Ubook, Flávio Osso conta que a empresa terá um escritório no Canadá para abrigar o diretor financeiro e as equipes de marketing e relações com investidores.
Criada em 2014, no Rio de Janeiro, a Ubook nasceu como empresa de streaming de audiolivros na qual o consumidor paga uma assinatura mensal para ter acesso ao conteúdo. O modelo de negócios foi mantido mas, a partir de março deste ano a startup acelerou sua estratégia de diversificação de conteúdo, com a oferta de notícias em tempo real, séries e documentários em áudio, e resumos de jornais.
“Em vez de nos expandirmos no exterior, estamos reforçando o conteúdo”, diz Osso. A meta de operar em 12 países até o fim de 2018 acabou não se concretizando. Nem o objetivo de chegar a 18 mercados até março deste ano. Atualmente, a Ubook atua em nove países, incluindo o Brasil, e planeja expandir as operações a outras oito nações.
A desaceleração no processo de expansão internacional está relacionada à entrada recente da concorrente sueca Storytel no Brasil e aos planos da americana Audible de também entrar no país em 2020, reconhece Osso.
O catálogo de mais de 380 mil títulos – entre audiolivros, e-books e podcasts ganhará futuramente programas de entrevistas gravados e revistas em formato de áudio, de acordo com o planejamento da empresa carioca. Como resultado dessa diversificação do portfólio, a Ubook passou a se intitular um empresa de tecnologia voltada para o mercado de streaming de conteúdo de áudio. E ainda tem contratos firmados com quatro das cinco maiores editoras do mundo.
Para sustentar o crescimento do catálogo de títulos, a Ubook investe para mais que dobrar seu número de estúdios próprios este ano. A empresa pretende passar dos sete estúdios atuais para um total de 16 até o fim deste mês.
Publicado originalmente em 07/10/2019 em Valor