Futuro da TV está na conexão com a internet
Ao fim de programas como a novela “Órfãos da Terra” e a série “Malhação”,
uma mensagem tem aparecido na tela da TV de alguns brasileiros: quer assistir ao episódio de amanhã? Se concordar, o espectador é direcionado ao aplicativo GloboPlay, de streaming, no qual ele pode assistir ao conteúdo, se for assinante. De maneira semelhante, assinantes do Premiere Play, pacote de jogos de futebol via internet, recebem alertas, no aparelho de TV, quando a partida do time do coração está para começar.
Batizado de DTV Play, o novo recurso, que permite interligar a transmissão em massa ou “broadcasting” com a internet, “é o futuro”, diz Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo Comunicação e Participações, que reúne as empresas de audiovisual do Grupo Globo.
“Precisamos criar uma experiência na tela grande na qual o consumidor tenha acesso aos conteúdos que lhe interessam sem perceber se [a programação] está chegando pela TV ou pela internet”, disse Barros, ontem, durante a SET Expo, feira de tecnologia para o setor de TV que ocorre em São Paulo. ” Netflix não vai poder oferecer isso, YouTube e Amazon Video também não”, afirmou. O formato, disse o executivo, começa no conteúdo mas também vai chegar à publicidade.
Por enquanto, o alcance dessa nova forma de ver TV é limitado. Está disponível apenas aos consumidores que compraram aparelhos da fabricante Semp TCL, que vem preparadas para a tecnologia. Mas a expectativa é que até o fim do ano novas
marcas ofereçam o recurso. “As conversas estão fluindo, mas nada acontece rápido porque existe um ciclo de desenvolvimento das TVs para acrescentar essas funcionalidades”, disse Barros.
O executivo, que comanda uma equipe de quatro mil profissionais, falou dos desafios que o novo cenário traz para a companhia e detalhou alguns dos esforços que têm sido feitos pela empresa. Barros informou que um grande número de
profissionais tem trabalhado em iniciativas na área de inteligência artificial para melhorar a maneira como o conteúdo é indexado e recomendado ao espectador. O trabalho, disse, está sendo feito em uma das novas áreas criadas no departamento – um centro de excelência em análise de dados.
Outro novo braço é o “media tech lab”, uma área dedicada à criação de ferramentas de tecnologia que a companhia não encontra prontas no mercado. Isso já era feito no passado, mas, agora, tem acompanhado o plano de integração de todas as empresas de audiovisual do grupo. Intitulado “Uma Só Globo”, o projeto foi iniciado no ano passado e tem duração prevista de três anos.
“É um desafio […], com muitos sistemas que precisam ser integrados com uma visão única”, disse. Um dos primeiros resultados desse esforço foi a criação de um sistema de venda de publicidade único pela internet, batizado de Globo Ads – nos moldes do que é oferecido por Google e Facebook.
Publicado originalmente em 29/08/2019 em Valor