Média e alta rendas puxam os lançamentos de imóveis no 3º tri

Por Valor Econômico

A demanda de imóveis para as rendas média e alta – estimulada por redução de
juros e pela maior oferta de crédito habitacional – continuou a dar o tom do
desempenho operacional do setor de incorporação no terceiro trimestre.

Enquanto Cyrela, Even Construtora e Incorporadora, EZTec e Trisul elevaram o Valor Geral de
Vendas (VGV) lançado, as companhias focadas na baixa renda como Direcional
Engenharia e MRV Engenharia apresentaram volumes menores.

Entre as empresas com foco na baixa renda, Tenda foi a única que lançou mais do
que no terceiro trimestre de 2018. RNI Negócios Imobiliários não apresentou
produtos ao mercado.

Considerando-se apenas a parte própria das incorporadoras nos empreendimentos,
as oito companhias lançaram, em conjunto, R$ 4,852 bilhões, de julho a setembro,
com alta de 28% na comparação anual. As vendas líquidas tiveram expansão 35,2%,
para R$ 4,319 bilhões.

“O desempenho das incorporadoras de média e alta renda veio em linha com o que
esperávamos. As vendas de lançamentos estão super fortes e as de estoque estão
boas. Cyrela foi o destaque do trimestre”, diz o analista de mercado imobiliário do
Itaú BBA, Enrico Trotta. Outro analista setorial afirma que as perspectivas para as
empresas do segmento são bastante positivas para o quarto trimestre.

Em relatório, o Credit Suisse ressaltou que os lançamentos da Cyrela foram uma
“surpresa bem-vinda”, enquanto as vendas de estoque também foram positivas. Na
avaliação do banco de investimentos, se a demanda continuar a crescer, a Cyrela
poderá operar a níveis superiores a R$ 4 bilhões por ano, o que tem potencial para
adicionar valor às ações da companhia.

A Cyrela divulgou lançamentos totais (incluindo a parcela dos sócios nos projetos) de
R$ 1,777 bilhão, no trimestre, com incremento de 93,6%. Em nove meses, o VGV
chegou a R$ 4,411 bilhões. Se considerada somente a parte própria lançada pela
incorporadora fundada por Elie Horn, houve alta de 76%, para R$ 1,244 bilhão de
julho a setembro.

No trimestre, Even elevou lançamentos em 87%, para R$ 239 milhões. Na Trisul, a
alta apresentada foi de 3,6 vezes, para R$ 338 milhões. O crescimento do VGV
lançado pela EZTec foi de 128%, para R$ 242 milhões.

Em nove meses, o VGV da EZTec chega a R$ 949 milhões e, considerando-se a
apresentação do EZ Parque da Cidade, feita no quarto trimestre, os lançamentos
chegam a R$ 1,525 bilhão. As vendas líquidas da EZTec tiveram incremento de 186%,
no trimestre, para R$ 343,2 milhões. O Credit destaca que a velocidade de vendas de
estoques da companhia atingiu a marca de 18,2%, a maior desde o segundo
trimestre de 2013.

Apesar do crescimento expressivo de 28% dos lançamentos do trimestre, houve
uma desaceleração da alta, ao longo do ano, ante o intervalo equivalente de 2018.
No acumulado de janeiro a setembro, as oito incorporadoras aumentaram o VGV
apresentado ao mercado em 44%.

De julho a setembro, houve desaceleração nos lançamentos enquadrados no
programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. No caso da mineira MRV, a
paralisação na concessão de financiamento à produção dos projetos do programa
pela Caixa Econômica Federal, de 26 de julho a 20 de setembro, resultou na queda
de 3% dos lançamentos, para R$ 1,63 bilhão.

A suspensão desses financiamentos e do repasse dos recebíveis dos clientes para a
Caixa resultou da falta de recursos da União para a fatia de subsídios anteriormente
prevista para as faixas 2 e 3 do programa. Houve mudança da regra, e a
obrigatoriedade de a União contribuir com esses subsídios foi retirada.

Já a Tenda aumentou seu VGV lançado em 32%, para R$ 761,4 milhões no trimestre.
A incorporadora apresentou seu primeiro projeto na Região Metropolitana de
Fortaleza. No entendimento do Credit Suisse, a Tenda poderá compensar as
margens mais baixas com maiores lançamentos. Segundo analistas, enquanto
houve alguma frustração com os resultados da MRV, os da Tenda surpreenderam
positivamente.

 

Publicado originalmente em  18/10/2019 em Valor 

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