SoftBank está perto de assumir controle da WeWork

Por Valor Econômico

A WeWork analisa um plano de resgate financeiro que entregará o controle da
gigante de escritórios compartilhados ao SoftBank, de acordo com uma fonte
familiarizada com o assunto. Essa é uma das duas principais opções para resgatar a
outrora bem-sucedida startup. A potência japonesa dos investimentos, controlada
pelo bilionário Masayoshi Son, está convencida de que pode recuperar a empresa
americana sem recursos com a adoção dos controles financeiros certos, disse a
fonte, que pediu para não ser identificada ao falar de deliberações internas. A
diretoria e os investidores da WeWork, no entanto, avaliam outra opção: a J.P.
Morgan Chase está conduzindo discussões sobre um pacote de dívida de US$ 5
bilhões, segundo informou a Bloomberg.

Qualquer um dos pacotes de resgate aliviaria a crise de liquidez que pode deixar a
empresa de compartilhamento de escritórios sem recursos suficientes já no mês
que vem. A startup caminhava para uma oferta pública inicial (IPO) que estava entre
as mais esperadas do ano, antes de que os investidores potenciais recuassem ante
certas métricas financeiras e falhas de governança, o que transformou a história da
gigante americana em uma advertência exemplar sobre a exuberância do mercado
privado e custou o emprego ao principal executivo da empresa.

A startup, que tinha um rápido crescimento, mas vinha perdendo dinheiro, contava
com a venda de suas ações – e um empréstimo de US$ 6 bilhões condicionado a uma abertura de capital bem-sucedida – para satisfazer suas necessidades de caixa.

O “Wall Street Journal” foi o primeiro a informar que o SoftBank podia estar em
discussões para ganhar o controle da WeWork. Os representantes da empresa
japonesa não estavam disponíveis para comentar o assunto ontem, que foi feriado
nacional.

O SoftBank já é o maior acionista da WeWork, mas o acordo proposto consolidaria
seu controle sobre a startup, segundo a fonte, que não quis detalhar quando poderá
sair uma decisão sobre as ofertas concorrentes. A empresa japonesa está em
negociações avançadas para adquirir mais ações a um valor consideravelmente
inferior aos US$ 47 bilhões que a WeWork ostentava em janeiro, segundo disseram
na semana passada duas fontes familiarizadas com essas discussões. O “New York
Times” informou que os membros da diretoria se reuniriam ontem para escolher
um dos planos de resgate financeiro.

Se a diretoria optar pelo acordo com o SoftBank, a empresa japonesa vai assumir
uma empresa problemática no momento em que ela luta para convencer o
mercado sobre sua visão de investimento de longo prazo. Ela também está ocupada
com a tentativa de atrair investidores potenciais para um sucessor do seu recordista
Vision Fund.

Son, do SoftBank, passa por um momento espinhoso, depois de reposicionar sua
empresa, de uma operadora de telecomunicações para um conglomerado de
investimento, com participações em dezenas de startups ao redor do mundo. Ele
construiu uma fortuna pessoal de cerca de US$ 14 bilhões com apostas
espetacularmente bem-sucedidas em empresas como o grupo Alibaba.

Mas as ações da SoftBank caíram cerca de 30% em relação a seu pico deste ano, já
que os investidores, alarmados com as estreias decepcionantes da WeWork e da
Uber Technologies, tornaram-se ressabiados com relação a avaliações de startups.
Em uma entrevista à revista “Nikkei Business”, Son disse que está descontente com
o quanto suas realizações até o momento estão longe de suas metas.

Na entrevista, Son disse que WeWork e Uber podem estar perdendo dinheiro agora,
mas serão substancialmente lucrativas em um prazo de 10 anos. Em um encontro
fechado das empresas da sua carteira no fim do mês passado, no entanto, ele
transmitiu uma mensagem diferente: tornem-se lucrativas logo. No encontro,
realizado no resort cinco estrelas de Langham, em Pasadena, Califórnia, Son
também enfatizou a importância da boa governança. Poucos dias depois, o
SoftBank liderou a derrubada de Adam Neumann, o controverso cofundador da
WeWork.

“A WeWork contratou uma importante instituição financeira de Wall Street para
organizar um financiamento”, disse um representante da empresa americana em
um comunicado no domingo. “Cerca de 60 fontes de financiamento assinaram
acordos de confidencialidade e se reuniram com a administração da empresa e seus
banqueiros ao longo da semana passada ou se reunirão nesta próxima semana.”

 

Publicado originalmente em  15/10/2019 em Valor 

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