Transferência de imóveis cresce 6% em São Paulo

Por Valor Econômico

O número de registros de compra e venda de imóveis chegou a 613.283, no Estado de São Paulo, nos 12 meses encerrados em junho, segundo levantamento divulgado ontem pela Associação dos Registradores de Imóveis de São Paulo (Arisp) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Realizada a partir de dados de
transferências e operações de 317 cartórios de registro de imóveis associados à entidade, a pesquisa apontou aumento de 5,97% desses registros ante a média móvel anterior.

“O registro de imóveis quer dar transparência a respeito do mercado imobiliário ao Brasil”, disse a coordenadora de Estatísticas, Pesquisas e Desburocratização da Arisp, Patricia de Camargo Ferraz. Segundo ela, quando a entidade decidiu apresentar dados do mercado, a intenção foi interferir, “diretamente, no ambiente de negócios do país”. “Somos, totalmente, favoráveis à segurança jurídica, ao destravamento da economia e à simplificação da vida das pessoas”, afirmou o presidente da Arisp, Flaviano Galhardo.

As operações de compra e venda corresponderam a 66,7% dos registros totais do Estado de São Paulo, que incluem operações como arrematação em leilões públicos, dação em pagamento, distrato e doação. Do total de registros de julho de 2018 a junho deste ano, 32,8% se referem a terrenos; 31%, a apartamentos; 11,8%, a
prédios residenciais; 10,4%, a casas; 1,6% a salas comerciais; 0,6% a prédios comerciais; 0,3% a lojas e 8,7% a outros tipos de imóveis, conforme a Arisp.

Na avaliação do economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o mercado imobiliário da cidade de São Paulo está vivendo o melhor momento dos últimos anos. “A reação começou em 2017, ganhou força em 2018 e está muito forte em 2019”, disse Petrucci.

Dados do Secovi-SP apontam que, no acumulado dos últimos 12 meses, mais de 50 mil unidades residenciais foram lançadas na cidade de São Paulo. A parcela enquadrada no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, superou 20 mil unidades desse total. Segundo Petrucci, a preocupação do setor, no momento, é se
haverá recursos para as faixas 1,5 e 2 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

O economista-chefe do Secovi-SP afirmou que, em “atitudes populistas”, o expresidente Michel Temer liberou R$ 50 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o presidente da República, Jair Bolsonaro, vai liberar R$ 29 milhões. “Isso tirou o colchão de liquidez do FGTS”, disse Petrucci.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França, o governo ainda não entendeu a importância do Minha Casa, Minha Vida. “O governo acha que o subsídio é uma jabuticaba, algo que só tem no Brasil. Nos Estados Unidos, há subsídios para a baixa renda e para a classe média na compra de imóveis. Em algumas coisas, o governo não quer olhar para o mundo, para que adotemos aqui as boas práticas”, disse França.

Segundo o representante da Abrainc, quem investiu, no Brasil, nos últimos anos, em meio às insegurança e à instabilidade foi “meio louco”. Com a “melhora da estabilidade e da segurança jurídica”, a tendência é que haja mais investimentos, de acordo com França.

Publicado originalmente em 01/10/2019 em Valor 

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